Date: 18 Set 2017

Digno de um cenário de contra tudo e contra o todos, os Bulls demonstraram a semana passada que continuam a dominar o sentido dos principais mercados accionistas, isto porque numa semana em que ocorreu mais um lançamento de um míssil, por parte da Coreia do Norte, que sobrevoou território japonês, que se deu mais um atentado terrorista no metro de Londres e que tanto as vendas a retalho como a produção industrial nos EUA saíram abaixo do previsto, o certo é que Wall Street registou a melhor semana desde Janeiro, enquanto que na Europa o abrangente Stoxx 600 averbou a melhor série de 5 dias de trading, desde meados de Julho, apesar da queda de -0.36% ocorrida na sexta-feira, dia em que o Footsie afundou -1.1%. Ou seja, neste reinicio dos “trabalhos”, após a época de férias, os Bulls não esperaram por uma boa envolvência para impulsionar os índices para máximos históricos, como ocorreu nos norte-americanos, e nem sequer importou o facto do S&P500 estar a negociar num patamar bastante sobre avaliado, com um múltiplo de 17,6 vezes, bem acima da média de longo prazo que está nos 14,3.

No Forex a estrela foi a Libra inglesa, após as declarações do governador do BOE terem indiciado que os juros deverão aumentar em breve, muito provavelmente na reunião de Novembro, facto que empurrou a moeda para uma valorização superior a 1% nas duas últimas sessões, encerrando a semana nos $1.3568, o valor mais alto de 15 meses e a aproximar-se rapidamente do valor de fecho da semana do referendo sobre o Brexit. Em sentido inverso o U.S dólar perdeu -0.2% contra um cabaz de outras moedas principais, muito por culpa dos maus dados económicos, mas conseguiu uma valorização semanal, terminando nos $1.1941 contra o Euro e 110.92 versus o Yen, com a moeda nipónica a ceder -0.6% devido à menor procura por activos refúgio. Facto que afectou igualmente o Ouro, que recuou -0.6% para os $1,321.7 por onça.

A semana que hoje começa deverá ser marcada pelas reuniões do FED e do Bank of Japan, de onde não se esperam alterações da politica monetária, mas os investidores irão analisar com detalhe as declarações que poderão sair sobre o futuro dos programas de estímulos, bem como da percepção dos bancos centrais, sobre o estado da economia. Ao nível politico a questão da reforma fiscal nos EUA é um factor que pode sempre vir para cima da mesa da discussão e provocar algumas alterações no sentimento do mercado.

 

O gráfico de hoje é do GBP/USD, o time-frame é Semanal

Com a recente subida este par de moedas está agora próximo de uma zona de provável resistência (A), na confluência entre a linha de tendência (vermelho) e o ponto de resistência criado pelos mínimos pré-Brexit (linha azul/B)

Marco Silva