Date: 08 Mai 2019

À segunda foi de vez, é este o mote a retirar da sessão de terça-feira que respondeu em pleno à duvida que coloquei na análise de ontem, visto que ao contrário de segunda-feira os Bulls capitularam mesmo aos receios de um agravamento severo do conflito comercial que opõe as duas principais economias mundiais, não dando qualquer espaço para ganhos nos onze sectores que compõem o S&P500, ou seja nem mesmo os activos refúgio do mercado accionista escaparam à fúria da pressão vendedora, embora seja de realçar que as utilities foram as que menos perderam valor com um deslize de apenas -0.31%, contra as desvalorizações superiores a -2% nas tecnológicas e das empresas ligadas aos materiais, que são os grupos mais expostos à exportação de produtos para a China.

Apesar de uma recuperação na fase final do dia as perdas oscilaram entre os -1,96% do Nasdaq e os -1,65% do S&P500, com estes índices a registaram a terceira pior performance do ano, ao passo que o Dow Jones, que teve todos os seus componentes no vermelho, averbou a segunda maior perda do ano ao ceder -1.79%, com destaque para a Boeing, a maior exportador norte-americana para a China, que recuou -3.87%. No S&P500 as desvalorizações de -2,1% e -2,7% nos títulos da Microsoft e Apple respectivamente, foram as que mais impacto causaram, o que não é de estranhar de dois pesos pesados que valem perto de $1 trilião cada.

Destaques para a subida acentuada do VIX, índice que mede a volatilidade do principal índice do mercado e que está geralmente associado a tempo turbulentos e de quedas no curto prazo, especialmente acima dos 20 pontos, como foi o caso de ontem com o índice a terminar acima dos 21, o segundo registo mais alto do ano. Ainda mais relevante foi o volume de transacções ter atingido os 7.8 biliões de negócios efectuados, ou seja muito superior aos dois dias anteriores e à média que ronda os 7 biliões por dia, dando assim ainda mais força a ideia de capitulação dos Bulls, pelo menos no curto prazo.

No mercado cambial o U.S dólar valorizou 0,2% contra um cabaz de outras moedas principais, beneficiando também da queda de -0.2% do Euro para os $1.1178, depois da Comissão Europeia ter reduzido a previsão para o PIB da zona Euro deste ano dos 1,3% para os 1,2%, muito por causa do menor ímpeto da economia alemã, que deverá crescer apenas 0.5%, contra os 1,1% previsto anteriormente.

Depois de na segunda-feira este índice ter proporcionado uma boa zona de resistência na linha superior de um canal, ontem foi o inverso, de novo unindo os dois máximos e traçando a linha superior, fazendo depois uma paralela e coloca a mesma no mínimo entre os máximos, resultou no ponto 4, que foi exactamente onde o activo encontrou suporte

Marco Silva