Date: 01 Out 2018

No meio de muito ruído extra mercados o certo é que Wall Street voltou a um bull market respeitável, com efeito não obstante as incertezas com a guerra comercial entre os EUA e meio mundo, os problemas políticos do presidente norte-americano com a investigação à interferência russa na sua eleição, o Brexit e a subida dos juros, o S&P500 obteve a melhor valorização trimestral dos últimos cinco anos num sinal inequívoco de que os investidores estão para já a dar palavra aos fundamentais actuais em detrimento de incógnitas futuras. A razão para esta performance foi nomeadamente devido ao facto da earning season ter sido de novo acima das expectativas, com um ganho de 25% nos lucros de ano para ano e uma taxa de 77,6% de resultados acima das previsões nas empresas do S&P500, relação que é comprovada pela evidência do índice ter subido os 7,2% no trimestre quase na sua totalidade nos meses de Julho e Agosto, quando a divulgação dos resultados é mais intensa.

Com outra boa earnings season à espreita já a partir dos próximos dias, com previsões de mais 21,6% de lucros para as empresas do S&P500, será interessante constatar qual o efeito que o mês de Outubro, por vezes de correcção em antecipação do Natal, terá em Wall Street, assim como é preciso ter em conta as eleições para o Congresso dos EUA de Novembro, onde se espera que os Democratas passem a ter maioria na House of Representatives e talvez também no Senado. Em qualquer dos casos uma vitória dos Democratas será um forte entrave à administração de Trump, visto que as leis têm de passar em ambos os locais para serem depois assinadas por Trump. E se até agora nem com a maioria Republicana o presidente norte-americano tem conseguido passar muitas leis, para além da reforma fiscal, os investidores temem que se poderá criar um impasse político.

Na Europa destaque para a situação na Itália, com o governo local a aprovar um orçamento que prevê um deficit três vezes superior ao anteriormente previsto, o que fez afundar a praça italiana em quase -4% na sessão de sexta-feira. Instabilidade que também não foi benéfica à moeda única, que cedeu -0.3% face o U.S dólar para os $1.1612, tal como a libra inglesa que recuou para os $1.3039.

O gráfico de hoje é do EUR/USD, o time-frame é Mensal

O principal par de moedas está a consolidar há 4 meses estando agora o stochastic muito perto do sobre-vendido, o que dá importância aos próximos dois a três meses como time-frame para um novo movimento significativo.

Marco Silva