Análises de Mercado

Bravo novo mundo para Wall Street

Já há alguns anos que por debaixo do sentimento de mercado existe uma mão que tem suportado os mercados financeiros a nível global, mas com particular destaque para os índices norte-americanos, amparo esse que não é segredo algum, são os estímulos. Estímulos esses que com a crise financeira de 2007/08 se tornaram dominantes no movimento de diversos activos e não apenas das acções, mas que transformaram igualmente o panorama dos principais intervenientes principais no mercado, insuflando e politizando os bancos centrais, redesenhando o seu papel para fábricas de pressão compradora, dada a enorme liquidez que injetaram e irão injetar no sistema, disponibilidade de capital que alterou as formas de avaliação dos activos colocando o investidores com um dos seus piores dilemas, é preciso investir mas o mercado está caro e sem grandes alternativas de investimento, o que em conjunto com o crescimento dos montantes em fundos de investimento com estratégias passivas, permitiu exacerbar os ganhos das que mais têm valorizado nos últimos meses, as tecnológicas.

Com a crise provocada pela pandemia de COVID-19, os estímulos que estavam a entrar numa zona de redução de importância, voltaram de novo à carga e com mais força, alavancando ainda mais a dependência nos bancos centrais, com o FED a entrar por caminhos desconhecidos, nomeadamente com o financiamento quase directo aos pequenos e médios negócios. Paralelamente os estímulos do Governo também têm sido fundamentais para manter um nível de confiança e por consequência de consumo, que permitiu a Wall Street recuperar rapidamente do “flash crash” de Março. Hoje, com a redução do ruído sobre as tensões EUA-China, mas principalmente com o pacote de Trump de auxílio à economia, que para além do subsídio semanal de $400, inclui redução de impostos variados como os de ganhos de capital, o sentimento está de novo em fase de euforia controlada, até porque da Rússia saiu a notícia de uma vacina contra o COVID-19, o que é ouro sobre azul para os investidores, não obstante isso não significar que a mesma seja eficiente ou que possa ser utilizada em breve pelo resto do mundo, dada a pouca profundidade dos testes efetuados, que não são suficientes para ser aprovada pela entidade regulatória norte-americana do sector, a FDA.

Seja como for, à entrada para a sessão de terça-feira os índices norte-americanos assim como um cabaz das principais bolsas mundiais estão claramente positivos, com realce para os novos máximos atingidos pelo S&P500, enquanto que o tecnológico Nasdaq segue para já menos entusiasta nos ganhos, com uma perda ligeira, em boa parte devido ao recuo, também ligeiro nos títulos da gigante Apple, prestes a quebrar a barreira dos $2 biliões de capitalização bolsista. A queda do valor do U.S dólar de -0,3%, também ajuda o sector accionista a valorizar, num dia em que o Ouro corrige das subidas recentes, cedendo -2,4% para os $1,978 por onça.

O gráfico de hoje é do EUR/USD, o time-frame é Diário

O principal par de moedas está prestes a efectuar um duplo topo que poderá levar o activo a testar a linha laranja.

Marco Silva

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