Date: 06 Mai 2019

Sexta-feira, dia D para os Bulls que esperavam por boas notícias dos dados económicos mais importantes do mês, os non-farm payrolls, para conseguirem uma justificação que lhes permitisse puxar Wall Street para novos máximos históricos, depois de dois dias em que os índices norte-americanos recuaram em reacção às declarações do Presidente da FED, Jerome Powell, que surpreendeu os investidores ao pintar um cenário menos dovish para a atitude do FED quando sugeriu que a falta de pressões inflacionistas actuais seria algo transitório e não duradouro, reduzindo assim as perspectivas que apontavam para um corte dos juros nos EUA até ao final do ano. Mas se os riscos eram elevados os dados económicos superaram as adversidades saindo na perfeição para os intentos dos Bulls, isto porque confirmaram o momento de ouro sobre azul que a economia norte-americana atravessa.

Com efeito não só o número de empregos criados foi superior ao esperado, com 233,000 versus os 190,000 previstos, como o crescimento dos rendimentos ficou ligeiramente aquém das estimativas, com 3,2% vs os 3,3% antecipados, o que resultou na percepção de uma economia com um crescimento robusto mas sem pressões inflacionistas, não justificando assim medidas de contenção como o aumento de juros, ao mesmo tempo que deixa espaço para que as empresas continuem a melhorar os seus resultados sem um aumento significativos de custos. O resultado final foi uma sessão de sexta-feira em que o optimismo dominou empurrando o Nasdaq para um novo máximo histórico, beneficiando dos 3,24% de valorização nos títulos da Amazon, após Warren Buffett ter referido à CNBC que a Berkshire Hathaway adquiriu pela primeira vez títulos da gigante retalhista online para o seu portefólio.

No mercado cambial a falta de motivos para juros mais elevados levou a que o U.S dólar se tenha ressentido com uma perda de -0,4%, o que permitiu ao Euro uma valorização de 0,3% para os $1.1202, numa sessão em que a libra inglesa brilhou com uma subida de 1,1% para os $1.3169, enquanto que o Yen avançou 0.4%.

Destaque para um dado que passou despercebido à generalidade dos analistas, o facto do volume ter sido reduzido, não só em relação à média habitual dos 7 biliões de negócios, mas especialmente em dia de non-farm payrolls e de direcção bem definida. Coincidência ou não os 6,47 biliões de transacções poderão ter sido um primeiro indicio de que uma parte dos investidores receava, ou já sabia, que algo pudesse acontecer durante o fim de semana acerca do tema da guerra comercial, depois de Trump ter afirmado na sexta-feira, mais uma vez, que esperava concluir as negociações em duas semanas, mas que se tal não acontecer os EUA também ficariam bem.

Não demorou muito até que o presidente norte-americano tenha confirmado os piores receios dos investidores, separando-os do optimismo de sexta-feira, ao anunciar ontem que as tarifas alfandegárias sobre $200 mil milhões de produtos importados da China, irão subir para os 25% na sexta-feira, mais que duplicando os 10% existentes actualmente, Trump referiu também que pensa subir em breve e para o mesmo valor tarifas sobre as restantes importações da China, ou seja mais $325 mil milhões. Ameaças que segundo o Wall Street Journal levaram a China a considerar cancelar as negociações existentes, o que agravou as perdas nos futuros do S&P500 para mais de -2% de recuo, uma crispação que não sendo debelada afectará o dia de hoje e muito provavelmente o resto da semana, visto que era quase certo que um acordo seria alcançado, fosse mais cedo ou mais tarde.

O gráfico de hoje é do S&P500 o time-frame é de 4 horas

O principal índice mundial que reagiu em queda acentuada ao anúncio de Trump tem como zona de suporte primário a linha azul, perto dos 2860 pontos.

Marco Silva