Análises de Mercado

Análise do primeiro debate presidencial, BIDEN vs. TRUMP

Com o primeiro debate televisivo iniciou-se um período conturbado politicamente que terá influência no ruído de mercado, até porque o que vai ser decidido nas eleições presidenciais irá ter consequências em diversos cenários, políticos e económicos, com ambos a condicionarem o comportamento dos índices e mais concretamente dos sectores. Uma vitória de Biden abre espaço a um apaziguar das relações com a China ao mesmo tempo que retira alguma força a Boris Johnson, uma vez que a sua boa relação com Trump ajuda a criar a ideia de que um acordo comercial entre o Reino Unido e os EUA será facilitado, colocando pressão na União Europeia, mas se Biden for o escolhido, Johnson ficará sem as costas quentes do outro lado do Atlântico, o que retirará algum do poder de fogo, ou melhor de bluff, que o primeiro ministro conseguirá aplicar nas negociações com o bloco Europeu, que para já se encaminham para um não acordo.

É de realçar que as sondagens dão uma vantagem no debate de terça-feira ao vice de Obama, reforçando a liderança que Biden tem nas sondagens relativas às intenções de voto, o que é relevante dado que muitos eleitores estão já a votar através de correspondência, um facto que prejudica Trump, que recorrentemente tem avisado que irá contestar o processo eleitoral caso julgue que não foi justo, algo que dificilmente aceitará se perder, pelo menos se tivermos em conta a forma como geriu a sua presidência e como esteve no confronto televisivo com Biden. É essa incerta sobre um clima de crispação ainda mais acentuado, após as eleições que tenderá a manter a volatilidade elevada, independentemente de um possível acordo entre Republicanos e Democratas para um novo pacote de estímulos, possibilidade de uma luz ao fundo do túnel que esta quarta-feira abriu as portas aos Touros, que finalmente apanharam uma porta aberta para puxarem por Wall Street, contudo e tal como referi nas duas análises anteriores, é final de trimestre, o que poderá estar a dar oxigénio às subidas, deixando para os próximos dias a confirmação do aliviar do sentimento bearish que tem mantido os índices norte-americanos no vermelho, nas últimas semanas, com excepção do Nasdaq.

Mas sejam quais forem os desenvolvimentos políticos ou económicos, é importante ter em consideração que os fundamentos técnicos não favorecem uma correção no curto prazo, dado que os investidores têm cerca de $4,5 trilhões em cash disponível, não contanto com a enorme liquidez que as empresas e particulares têm neste momento, o que dá uma almofada substancial de capital que mais cedo ou mais tarde terá de ser colocado em rentabilização. Aliás, com o mercado muito perto de máximos históricos a existência deste capital extra é quase uma garantia de que os investidores irão aproveitar correcções menores para entrar no mercado, beneficiando assim de uma melhor relação entre preço e valor.

O gráfico de hoje é do VIX, o time-frame é diário

O índice que mede a volatilidade está dentro de um canal que será importante para antecipar quaisquer subida mais significativa caso seja quebrado em alta.

Marco Silva

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