Date: 25 Mar 2019

Depois de na quinta-feira Wall Street ter vivido alguma euforia no rescaldo da reunião da FED, que resultou na transmissão ao mercado de uma atitude ultra dovish por parte dos membros do board, os investidores foram confrontados com a realidade dos números que provocaram um duro golpe no optimismo e uma reviravolta de sentimentos, o que resultou no pior dia para os índices norte-americanos desde o início do ano. Com efeito e após vários avisos nas semanas anteriores, na sexta-feira os Markit PMI, uma sondagem sobre a actividade económica, tanto da Zona Euro, como nos EUA, não deixaram espaço para muitas dúvidas. Desde logo o facto do Composite PMI relativo à zona Euro ter caído para os 51,3, pouco acima do nível de contracção e abaixo dos 52 esperados, foi logo um sinal de preocupação a ter em conta, contudo os dados mais relevantes saíram na componente industrial.

Tal como já tinha referido anteriormente tem-se notado um claro desfasamento entre a performance da manufactura e dos serviços. Ora no Manufacturing PMI relativo à Alemanha o valor saiu nos 44,7, o mínimo dos últimos seis anos, bem inferior aos 48 antecipados e menor que o mesmo dado relativo à zona euro que se quedou pelos 47,6, igualmente bem pior que os 49,5 previstos, deixando claro que nesta fase é o sector dos serviços que está a impedir a economia do bloco europeu de entrar em recessão, restará saber por quanto tempo. Do outro lado do Atlântico e não obstante os valores anunciado ainda indicarem uma expansão, tanto o número do sector da manufactura como o dos serviços saíram abaixo do esperado e de novo, com o da manufactura a demonstrar maior fraqueza.

A reacção não se fez esperar, pela primeira vez desde 2007 e depois de alguns meses de aproximação as taxas de juro da divida soberana dos EUA a 3 meses ultrapassaram as taxas a 10 anos, soando um dos principais alarmes bearish indicado que os investidores não só esperam como investem na possibilidade dos juros descerem no médio prazo, fruto de um desaceleramento económico ou mesmo recessão no espaço de um a dois anos. De realçar que nas últimas três recessões este indicador foi fiável para antecipar um cenário económico de contracção, dai que o wakeup call do mercado obrigacionista tenha levado a uma procura inequívoca por activos refúgio, afugentando qualquer vestígio dos Bulls. No mercado accionista os activos refúgio, utilities, imobiliárias e retalhistas de produtos essenciais obtiveram resultados francamente melhores que os restantes, tendo inclusive o primeiro grupo conseguido fugir ao vermelho.

No Forex destaque para a valorização de 0,8% no Yen para os 109.97 fruto da procura por segurança, enquanto que a Libra inglesa avançou 0,7% para os $1.32 com a extensão por mais alguns dias do prazo para o Reino Unido decidir o que pretende fazer em relação ao Brexit. Na Europa o dia foi igualmente de vermelho carregado com perdas que variaram entre os -1,22% no Stoxx600 e os -2,01% do Footsie, ainda assim melhor que os -2,5% de recuo do Nasdaq e os -3.62% de perda registada no Russell 2000.

Esta semana será de extrema importância para se aferir da consistência ou não do pessimismo de sexta-feira, havendo a destacar vários dados económicos de relevo, como o índice de confiança do consumidor, o PIB e o índice de despesas de consumo nos EUA, enquanto que na zona Euro, é de estar atento ao discurso que Mario Draghi irá fazer em Frankfurt.

O gráfico de hoje é da S&P500, o time-frame é Diário

O S&P500 poderá hoje quebrar a linha de suporte do rally iniciado após o dia de Natal, o que a ocorrer será um indicador bearish de curto prazo

Marco Silva