Date: 20 Mai 2019

Wall Street terminou a semana passada dentro do mesmo sentimento que a dominou, incerteza. Depois um início em forte correcção, após a China ter retaliado contra a imposição pelos EUA de tarifas bastante mais elevadas em $200 mil milhões de produtos importados da segunda maior economia do mundo, Trump através do seu meio de comunicação predilecto, o Twitter, veio de alguma forma suavizar a retórica desviando as atenções para as negociações inacabadas com os restantes parceiros de comércio, Europa, Japão e os seus vizinhos mais próximos, Canadá e México. Contudo, o impasse com a China acabaria por condicionar o final da semana depois de uma notícia da CNBC ter dado conta que as negociações entre os países estão por agora suspensas, na sequência das sanções de Trump à Huawei, e sem datas concretas para as próximas reuniões para além de um encontro entre os dois presidentes no final de Junho, na cimeira do G-20.

Nos índices, o Dow Jones, mais exposto às exportações, registou a quarta semana consecutiva de perdas enquanto que os seus parceiros mais relevantes averbaram a segunda série de cinco dias a recuar no valor, o que comprova a importância que o tema comercial tem tido desde a parte final da earnings season. O sector tecnológico, nomeadamente dos semicondutores, foi o mais afectado com a pressão vendedora e averbou um deslize superior a -5% no SOXX, fraqueza derivada das restrições às operações da Huawei nos EUA, visto que é a terceira maior compradora de semicondutores do mundo, o que afectou principalmente os seus fornecedores norte-americanos. Do lado positivo estiveram os activos refúgio do sector accionista com as utilities, imobiliárias e retalhistas de produtos essenciais a conseguirem ganhos na semana, embora que ligeiros.

No mercado cambial o U.S dólar ganhou terreno contra um cabaz de outras moedas principais, para o máximo de quase 5 meses, enquanto que a Libra Inglesa voltou a corrigir com uma queda de -0.6% para os $1.2726, com o agudizar da crise política devido ao Brexit. Com o fim da época de resultados iminente, os investidores apontam agora baterias à performance empresarial no trimestre actual, para o qual uma boa parte das empresas do S&P500 anunciou uma redução de perspectivas dos lucros, mas em menor dimensão que a média dos últimos anos. Esta semana para além da incerteza e receios sobre notícias relativas à guerra comercial, irão sair bastantes dados económicos relevantes que poderão mexer com o mercado, ao que se irá juntar o início do período de eleições para o Parlamento Europeu, onde se perspectiva um crescimento da representação dos movimentos anti-Europa, resultado que a ser confirmado poderá causar alguma instabilidade na semana seguinte.

O gráfico de hoje é do EUR/USD, o time-frame é Diário

O principal par de moedas está dentro de um canal descendente (linhas azuis) que tem condicionado o movimento do activo desde o início do ano.

Marco Silva