Date: 02 Jan 2019

Há precisamente um ano na análise de abertura a 2018 deixei duas questões com um âmbito semelhante, seria o ano que agora terminou similar ao de 2017, ou traria diferenças significativas? e teriam os Bulls força para dar continuidade ao Bull market iniciado em 2009? Esta última incógnita é a que obteve a resposta mais evidente, o Bull market terminou em Setembro, quando os diversos índices atingiram máximos históricos encetando depois um movimento correctivo que não obstante duas tentativas de rebound em Novembro registou variações suficientes para colocar o Nasdaq e S&P500 em território de Bear market, sendo certo que para os optimistas tal poderá ser apenas uma consolidação dos enormes ganhos de 9 anos, contudo também é inequívoco que Wall Street, teve a pior performance em 2018 dos últimos 10 anos, tendo Dezembro sido um mês fora do normal para o mercado accionista, não apenas porque o S&P500 registou a maior perda de quase um século, como foi a primeira vez que registou uma desvalorização trimestral após os três primeiros trimestres a ganhar.

Mais interessante e importante é a resposta à primeira pergunta, isto porque será muito provavelmente a razão que no final do dia irá condicionar o mercado neste novo ano. A questão é simples, a quase totalidade dos riscos para as bolsas à entrada de 2018 e que já existiam em 2017, mantiveram-se, reforçaram-se ou concretizaram-se bem antes do início da correcção, logo qual terá sido a principal diferença que originou o virar de costas dos Bulls? A razão é simples e bem conhecida, uma das principais forças de mercado são os resultados das empresas, tudo o resto pode estar incerto, mas se os resultados forem bons, as valorizações aparecem, ora, desta feita foi exactamente com o início da última earning season de 2018 que as nuvens negras sobre os resultados apareceram, nomeadamente o ruído acerca de um pico nos lucros, que depois teve confirmação à medida que as empresas apresentaram resultados inconstantes entre os principais players, mas que em quase todos houve um aviso à navegação sobre o futuro, e foi esta viragem um dos principais catalisadores para o movimento correctivo do último trimestre.

A pergunta para o milhão de dólares que coloco hoje é portanto, como serão os resultados nas próximas duas earnings seasons, porque a confirmar-se o arrefecimento no crescimento dos lucros e em muitos casos a contracção devido por exemplo às tarifas comerciais, 2019 poderá ser ainda mais agressivo para os Bulls. Ou seja quero com isto dizer que será muito importante estar com atenção à earnings season que irá começar em breve, concretamente para o outlook das empresas.

Europa, Ásia e o mundo do mercado accionista em geral também não terão razões para se recordarem de 2018, uma vez que quase todos os principais índices registaram perdas superiores a 10%. Nas commodities na história do ano passado destaca-se a forte correcção do preço do crude que cedeu cerca de 25% não obstante ter estado uma boa parte do ano a subir, mas não resistindo ao excesso de oferta e ao arrefecer da procura, com a particularidade do alivio nas sanções à exportação de crude pelo Irão a ter um papel importante neste desfecho.

No Forex o ano foi do U.S dólar, seguido de muito perto do Yen, devido à procura por activos refúgio dos últimos três meses, enquanto do outro lado o Euro esteve claramente mais fraco averbando uma perda de -4.6%.

O gráfico de hoje é do USD/JPY, o time-frame é Semanal

Quebrados os dois canais ascendentes (vermelho/verde), este par de moedas tem agora a linha azul como primeira zona de suporte

Marco Silva

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