Date: 26 Mar 2020

Depois dos trilhões que o FED atirou para cima da mesa e dos muitos outros que jurou juntar caso fosse necessário, os investidores estiveram ontem em pulgas com a possibilidade de sair do Congresso norte-americano um pacote de apoio à economia na ordem dos $2 triliões, que deverá incluir algum “helicopter money”, ou seja cheques dirigidos aos cidadãos para ajudar a ultrapassar as consequências financeiras negativas das medidas implementadas para a contenção e mitigação da epidemia de coronavírus, ao mesmo tempo que se compra tempo para que as empresas não fiquem sem uma parte substancial dos seus clientes, o que seria absolutamente desastroso para a economia no curto, médio e mesmo longo prazo uma vez que uma boa parte do tecido produtivo está em risco de fechar portas, seja ele do sector manufactureiro ou dos serviços.

Essa perspectiva de auxilio que após o fecho de mercado se concretizou num acordo entre Republicanos e Democratas deu a Wall Street um dos seus melhores dias de sempre, com ganhos no Dow Jones que atingiram o máximo dos últimos 87 anos, isto numa sessão em que a volatilidade foi elevada mas com menos variações de sentido, mas ainda assim a dobrar a variação média de 5% que os índices norte-americanos têm registado nos últimos tempos, um valor a todos os níveis impressionante. Hoje e depois de umas oscilações madrugadoras que incluiu a promessa gorada (para já) de mais uma dia de ganhos, os investidores estão um pouco mais cépticos em colocar risco acrescido em cima da mesa, um pouco dentro da mentalidade de “comprar no rumor e vender na notícia”, contudo o dia ainda agora começou e como tem sido recorrente, tudo pode acontecer.

Tal como tenho vindo a referir a única “certeza” nesta fase é a volatilidade ser elevada e como sempre nestes casos é aconselhável cautela com as posições, nomeadamente com a alavancagem, estamos a falar de puxadas para qualquer dos lados na ordem dos 1% a 2% num curtíssimo espaço de tempo, por vezes nem dá para ir fazer um café e o mercado já “voou”. É preciso ter igualmente em consideração que para já o acordo alcançado pelos políticos nos EUA ainda não é “lei”, falta passar na Casa Branca, o que no entanto não deverá ser um obstáculo, contudo é fundamental o pragmatismo, o impacto desta pandemia nos cidadãos, nas empresas e na economia ainda agora está a começar a fazer-se sentir pelo que a tranquilidade no sentimento ainda é uma miragem.

O gráfico de hoje é do DAX, o time-frame é Mensal

Muito importante o facto do DAX ter quebrado em baixa o canal ascendente iniciado na crise financeira, mas para já ter recuperado dessa quebra. A forma como vai terminar o mês será fundamental para se aferir a intensidade da correcção, um fecho abaixo da linha será bearish.

Marco Silva

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