Pandemia mancha Wall Street de vermelho

Pandemia mancha Wall Street de vermelho

Já quase desde o início da pandemia de COVID-19 que se antecipava um ressurgir da crise de saúde pública assim que o tempo frio chegasse. E não obstante muito ruído sobre a possibilidade de existir tratamento e ou vacinas nesta fase, a realidade é que pouco ou nada de novo está disponível para combater o vírus, nem tão pouco a sua propagação, daí que a solução que esteja a ser adoptada pelos países mais afectados pelo rápido aumento de novos casos, atingindo mesmo recordes de contágio, esteja em linha com o que foi decidido há uns meses, nomeadamente na redução da mobilidade dos cidadãos o que resulta numa inevitável contração muito significativa da actividade económica, e se desta vez os governos estão a tentar resistir a um novo confinamento geral, o certo é que tal se afigura como muito provável, talvez não na totalidade da amplitude do verificado em Março, mas algo muito similar, havendo mesmo já diversos zonas na Europa com recolher obrigatório.

Portanto os receios de há uns meses sobre uma segunda vaga da pandemia estão-se a revelar com algum fundamento o que está a condicionar o sentimento dos investidores, especialmente numa fase em que estes já não estavam particularmente optimistas ou confiantes, não apenas por causa da incerteza sobre o desfecho da eleição presidencial nos EUA, mas principalmente devido à falta de acordo para um novo pacote de estímulos, a ser aprovado pelo Congresso norte-americano. Mais uma vez os dois principais intervenientes no processo de negociação, Nancy Pelosi pelos Democratas e Steven Mnuchin pela Casa Branca, demonstraram optimismo quanto a um entendimento, contudo tal como já tem sido habitual, tal disposição não passa disso mesmo, de uma disposição que não deverá resultar em algo de positivo, uma vez que tal como referiu ontem o conselheiro económico de Trump, Larry Kudlow, existem partes da proposta dos Democratas que o presidente simplesmente não pode aceitar, bem como existem outros pontos que a administração pretende ver incluídos.

Ou seja, com a frente da saúde a piorar acentuadamente, na falta de um balão de oxigênio que permita à maior economia do mundo aguentar um inverno que se avizinha muito complicado e com a incerteza que paira sobre o que vai sair do acto eleitoral de 3 de Novembro, o sentimento no inicio desta semana não podia ser mais pessimista, com os índices norte-americanos a perderem terreno desde a abertura até perto das 13h30, altura em que estabilizaram, mas sem grande expressão na recuperação. É de realçar que não obstante as perdas que oscilaram entre os -1,54% no Nasdaq e os -2,29% no Dow Jones a procura por activos refúgio foi selectiva, e se no mercado accionista as utilities foram como habitualmente as preferidas na procura de segurança, já no Forex o U.S dólar surgiu de novo como um porto seguro, conseguindo valorizar 0,4% contra um cabaz de outras moedas principais, relegando o Yen para um dia praticamente inalterado, o mesmo registo que o Ouro, ou seja os dois principais activos refúgio por excelência ficaram à margem da pressão compradora.

O gráfico de hoje é do S&P500, o time-frame é de 1 hora

Tendo perdido o comboio do canal ascendente (azul), o principal índice accionista está agora dentro de um canal descendente (laranja)

Marco Silva

A informação fornecida não constitui pesquisa de investimento. O material não foi preparado de acordo com os requisitos legais destinados a promover a independência da pesquisa de investimento e, como tal, deve ser considerado uma comunicação de marketing.
Todas as informações foram preparadas pela ActivTrades (“AT”). As informações não contêm um registro dos preços da AT, nem uma oferta ou solicitação de uma transação em qualquer instrumento financeiro. Nenhuma representação ou garantia é dada quanto à exatidão ou integridade desta informação.
Qualquer material fornecido não tem em conta o objetivo de investimento específico e a situação financeira de qualquer pessoa que possa recebê-lo. O desempenho passado não é um indicador confiável de desempenho futuro. AT fornece um serviço somente de execução.
Consequentemente, qualquer pessoa que atue na informação fornecida o faz por sua conta e risco.